A droga ocupa um espaço significativo na história da humanidade, há relatos muito remotos, nos quais as substâncias já vinham sendo usadas na antiguidade, seja em rituais religiosos, em comemorações, mesmo na Bíblia encontra-se relato do uso de vinho em festividades, e no próprio milagre de Jesus ao transformar água em vinho.
Mais atrás na História, encontramos sobejas referências ás libações do Nilo, bem como muitas narrativas sobre as bacanais de Dionísio, os festins de César e outras orgias, verificando – se também que o consumo de drogas intoxicantes remonta a épocas muito primitivas (SCHMIDT, 1975, p.11).
Há relatos de uso de substâncias intoxicantes por muitos povos da antiguidade e já nestes períodos podemos constatar a existência de algumas substâncias que nos são muito comuns hoje, como: ópio, maconha, haxixe, derivados da coca e algumas bebidas.
O ópio, por exemplo, que é o suco coagulado da papoula (Papaver somniferum), estreitamente vinculado ao misticismo, é conhecido desde há muitos séculos pelas populações asiáticas; os derivados da coca, extraídos da folha de seu arbusto (Erythroxylum coca), eram usados pelos incas como estimulantes; a maconha e suas variedades como o haxixe e a marijuana, da planta cannabis sativa, obtida da resina de sua floração e dos frutos situados na sua parte superior, medra nas mais distintas regiões, tendo sido lembrada por Homero, que falou sobre a embriaguez a que se entregavam os citas, inalando os vapores do cânhamo. Uma bebida inebriante usada pelos hindus é citada no próprio “Rig – Veda”, obra considerada sagrada. Cerca de mil anos antes do nascimento de Cristo, os hindus já consideravam a cannabis, como uma planta sagrada, certamente por causa das propriedades misteriosas da mesma (SCHMIDT, 1975, p. 11)
Com base nesses dados, podemos dizer que há algum tempo o homem vem fazendo uso de drogas, cada cultura vai tendo ou criando suas formas de administração, seja para fins medicinais ou buscando através destas uma melhor condição física ou para buscar a “paz”, transcender, nos rituais religiosos, buscando conforto para suas angústias, alterando assim seu humor ou simplesmente como forma de esquivar-se de sua realidade, abstrair-se por um momento do mundo que o cerca que causa – lhe tantas perturbações em um dado momento de sua existência. Por isso busca através da intoxicação a fabricação de sua existência.
Procura – se então articular um mundo sobrenatural cujos deuses são manipulados pelo aplacamento ou pela adoração, na tentativa de assegurar a vida eterna, o que vale dizer a morte eterna. E em lugar de procurar o prazer cuja aspiração é legitima na ponderação das dores que resultam de cada prazer, o adicto se lança no culto de deuses químicos, físicos, mecânicos, intelectuais que atendem imediatamente ao seu egocentrismo, radicalização do individualismo burguês, mas que o castram da satisfação da viagem maravilhosa de descobrir sempre de novo a vida, diferente cada vez (KALINA; KOVADLOFF, 1980, p. 11).


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