Toxicomania e sintoma

Freud em sua obra, Neurose e Psicose, busca elucidar a relação do sujeito neurótico e a constituição do sintoma. Onde o ego luta contra um impulso instintual do id.

Em tal caso, o ego se defende contra o impulso instintual mediante o mecanismo de repressão. O material reprimido luta contra esse destino. Cria para si próprio, ao longo de caminhos sobre os quais o ego não tem poder uma representação substitutiva (que se impõe ao ego mediante uma conciliação) – o sintoma. O ego descobre a sua unidade ameaçada e prejudicada por esse intruso e continua a lutar contra o sintoma, tal como desviou o impulso instintual original. Tudo isso produz o quadro de uma neurose (FREUD, 1924, p.167-168).

            Segundo Fonseca (1998, p. 196) “o sintoma com sua permanência e constância é um aviso de nossa relação com a falta; é o que presentifica a sexualidade”.

            Assim o sintoma fala de uma marca no corpo, marca da castração, ou seja, a marca do interdito, na qual o pai impõe o limite, fazendo assim com que o sujeito se localize sexualmente em relação ao gozo fálico. Mas como este gozo opera no toxicômano? Tendo em vista como já abordamos anteriormente na recusa vivida pelo toxicômano perante a castração, perante o não imposto pelo pai, causando assim um “curto – circuito” na ordem simbólica deste sujeito?

            O toxicômano busca o gozo real, gozo do corpo ou gozo do Outro, pois nega que este gozo esteja fora de seu alcance, buscando a droga para este fim, sendo que o gozo da droga está no corpo, gozo do Outro, um gozo não-sexual, ignorando assim o gozo fálico, ignorando o simbólico.

Na crença da infinitude do gozo proporcionado pela droga, na administração das doses e nos intervalos do uso, onde no momento de frustração, quando não admite que algo abale a sua homeostase, o indivíduo utiliza – se da química como um apaziguador dos seus males, e, por conseguinte esta (a química) lhe proporciona o gozo tão esperado.

“[…] o uso das drogas facilita a regressão, e é esta que impede a emergência dos sintomas que denunciam o sujeito como sujeito faltoso, como sujeito sexual” (FONSECA, 1998, p. 197).

Na toxicomania o sujeito encontra – se numa relação na qual o seu gozo depende do encontro com o objeto – droga, neste ponto o que se faz valer é a dimensão imaginária com o seu objeto – droga. Portanto o trabalho psicanalítico com esses pacientes vem no intuito de possibilitar uma via na cadeia simbólica, possibilitando a formação de sintomas e estabelecendo uma distância entre o sujeito e o gozo.

A produção de sintomas no tratamento se dá quando o sofrimento do analisando passa a ser elaborado simbolicamente como uma interpretação do desejo do Outro, fazendo ressurgir a fabricação de ‘teorias’ e de versões que lhe dêem um sentido (RIBEIRO, 2009, p. 30).

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