Buscando estabelecer uma contraposição entre o capitalismo/consumismo e as toxicomanias utiliza – se como exemplo o discurso inicial do filme, Trainspotting[1] do diretor Danny Boyle, de 1996.
O filme trata em seu enredo do uso de drogas, dando uma ênfase ao consumo de heroína por jovens, na década de 90. Segue o trecho inicial, onde o personagem principal relata a sua relação com a droga:
“Escolher uma vida, escolher um emprego, escolher uma carreira, uma família. Escolher uma televisão grande, máquina de lavar, carros, toca – discos, abridor de lata elétrico. Escolher saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Escolher prestações fixas para pagar. Escolher uma casa. Escolher amigos. Escolher roupas e acessórios. Escolher um terno feito do melhor tecido. Se masturbar domingo de manhã pensando na vida. Sentar no sofá e ficar vendo televisão. Comer um monte de porcarias… acabar apodrecendo no final. Escolher uma família e se envergonhar dos filhos egoístas que pôs no mundo para substitui-lo. Escolher futuro, escolher uma vida. Por que eu iria querer isto? Preferi não ter uma vida. Preferi ter outra coisa. E motivos… Não há motivos. Para que motivos, se tem heroína?” (TRAINSPOTTING, 1996).
Neste fragmento pode – se considerar a toxicomania como um método químico e uma solução química, no qual o sujeito utiliza – se da intoxicação, como forma de apaziguar a pressão proveniente do mundo externo, causadora de seu mal-estar, utiliza – se da química (droga) para alcançar este fim, em um curto – circuito pulsional.
Este filme ilustra os dilemas vividos por jovens que descobrem na droga, neste caso a heroína, a solução para estes dilemas. Primeiramente mostrando a droga como um divertimento, ou mesmo uma forma de lidar com o desconforto que tantas vezes a vida nos causa.
Considerando a drogadição como um sintoma social, que vem tomando cada vez mais espaço em nossa sociedade e o uso de substâncias se tornando cada dia mais frequente entre crianças, jovens e adultos.
O prazer veiculado pela mídia – cultura é o prazer imediato, prazer adicto que não passa pela mediação de um outro, aquele prazer de descarga instantânea, que teria como corolário clínico o drogado. O prazer que é excluído ao eu é aquele do indivíduo social. É o prazer da sublimação (MAIA, 2005, p. 87).
[1] Trainspotting é um filme britânico de 1996, do gênero drama, dirigido por Danny Boyle e com roteiro baseado em livro homônimo de WELSH, Irvine. Trainspotting. London: W.W. Norton, 1993. No Brasil: WELSCH, Irvine. Sem limites. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.


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